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Igreja evangelística e missionária



Esse importante princípio também pode ser denominado de o “princípio bíblico da grande comissão”, com base em Mateus 28.18-20. Normalmente evangelho e ação missionária não são analisadas freqüentemente sob a ótica de um princípio batista. Justo Anderson, no seu estudo “Enfocando sete princípios batistas”, inclui como sétimo o “princípio evangelístico – O evangelismo pessoal e a obra missionária”, justificando: “Nenhum estudo dos princípios batistas pode terminar sem uma consideração do princípio evangelístico com seu corolário missionário”[57]. O princípio batista da igreja missionária enfatiza que cada cristão, obediente ao “ide” de Jesus e no exercício do “sacerdócio universal dos crentes”, deve ser uma testemunha de Cristo e um proclamador do evangelho, e cada igreja como participante do empreendimento missionário. Os batistas ensinam que “o evangelismo é a proclamação do juízo divino sobre o pecado, e das boas-novas da graça divina em Jesus Cristo”, assim como missões “é a extensão do propósito redentor de Deus através do evangelismo e do serviço cristão além das fronteiras da igreja local”[58].

É necessário saber, de imediato, que o propósito evangelístico e missionário da igreja origina-se no próprio Deus. Quando do pecado do primeiro homem e da mulher, o Criador os procurou na situação em que se encontravam e, não concordando com a iniciativa deles ao se cobrirem com “folhas de figueira”, fez “vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu”. Está aqui a primeira ação missionária de Deus buscando o homem no pecado e agindo a favor dele. A ação de Deus em prover-lhes “vestimentas de peles” implicou a morte de um animal para cobrir o pecado humano. Ali já estava o princípio divino: “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9:22).

Mostraremos apenas algumas passagens que mostram o interesse de Deus em abençoar e salvar toda a humanidade. Deus, ao chamar Abraão, fez dele um grande povo no qual “serão benditas todas as famílias da terra (Gn 12:3)”. No Salmo 2, de conteúdo messiânico, onde o Pai diz ao Filho: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por possessão” (v. 8), fica bem clara a intenção divina de ter seu reino expandido por toda a terra. Também no Salmo 96, o salmista declara: “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as sua maravilhas” (v. 3), isto é, as bênçãos e a salvação divinas.

O profeta Isaías igualmente anunciou: “O Senhor desnudou o seu santo braço à vista de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” (Is 52:10). E Joel deixou claro o propósito de Deus para a humanidade ao declarar: “Acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 2.28-32). Pedro, séculos depois, em Jerusalém, refere-se a essas palavras de Joel, mostrando seu cumprimento naqueles milhares de ouvintes que representavam povos de várias partes do mundo conhecido, núcleo da universalização do evangelho aos quatro cantos do mundo, em cumprimento ao “ide” e “fazei discípulos de todas as nações” de Jesus. O propósito missionário de Deus chega ao clímax anunciado em Apocalipse 21:3: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles”.

O propósito de Deus em ter um povo “de todas as nações, tribos, povos e línguas” toma corpo em Cristo que “veio buscar e salvar o perdido”. Para isso pregou, ensinou com palavras e manifestação de poder, morreu e ressuscitou dos mortos “depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas” e, tornando-se “o Mediador da nova aliança” entre Deus e os que a ele recorrem.

Antes de subir aos céus, no entanto, Jesus delegou aos seus discípulos contemporâneos e aos futuros com a seguinte ordem: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra, ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28:18-20). O que Jesus está dizendo é, em outras palavras, o seguinte: “O Pai me deu autoridade total no estabelecimento do seu reino. Agora, eu delego a vocês a tarefa de expandi-lo em toda a terra, fazendo novos discípulos por onde quer que vocês estejam, entre todos os povos e etnias. Ao ensinarem a eles todas as coisas que vocês já aprenderam de mim e que eu ordenei que praticassem, batizem-nos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E não fiquem preocupados com o que der e vier, porque eu estarei sempre com vocês, não com minha presença física mas, sim, na pessoa do Espírito Santo que estará permanentemente até o fim da história, dando-lhes assistência e poder espiritual para a tarefa delegada por mim a vocês. Não há como haver falha. Eu garanto”.

Desejo, agora, fazer duas considerações pormenorizadas do “fazei discípulos de todas as nações”. A primeira diz respeito ao âmbito universal da pregação do evangelho e do discipulado. “Nações”, no original grego, é “éthne” (donde vem etnia, étnico). Portanto, a missão da igreja cristã abrange todos os povos e grupos étnicos, com toda variedade cultural e religiosa. Muitos hoje, inclusive alguns cristãos, influenciados pela maré pós-modernista, alegam que a igreja não deve se preocupar em levar o evangelho aos povos de outros cultos. Afinal, dizem, todas as religiões são válidas, porque são expressões diferentes de adoração ao mesmo Deus (ou deuses). Assim, Javé, Baal, Krishna, Alá e Buda são vários nomes para a mesma divindade. Igualmente, não se deve pregar a ninguém de outro credo. É a filosofia do “cada um na sua” e o conceito de que evangelizar uma pessoa é impor um ponto de vista religioso a alguém, já que todas religiões são iguais e boas, como reza o credo do pluralismo pós-moderno. Entretanto, ignorando o pluralismo daquela época e de hoje, a ordem de Jesus é: “sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia (judaísmo) e Samaria (do culto samaritano) e até os confins da terra (de todos os cultos e credos)”. Não é preconceito religioso o cristão proclamar que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2:4-5).

A segunda consideração refere-se ao mandamento: “ensinando-os a guardar todas as coisas”, nas palavras de Jesus. Há grupos religiosos que usam a Bíblia em suas reuniões, mas não são cristãos nem creem em Jesus evangelicamente. Elogiam os ensinos de Jesus, mas só o que interessa ao ponto de vista religioso que professam.

Igualmente, igrejas evangélicas existem que pregam aquilo que Bonhoeffer chamou de “graça barata”, como declarou: “A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a ceia do Senhor sem confissão dos pecados (...) A graça barata é a graça sem discipulados, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado”[59].

Hoje temos visto a proliferação de pregadores que têm pregado um “evangelho facilitado”, na expressão de Almir dos Santos Gonçalves Júnior, que denuncia em “denominações ou seitas ditas evangélicas as pregações sobre a prosperidade, o bem-estar, a grande sorte, a solução para o desemprego, a resposta para as dificuldades ao relacionamento pessoal, a felicidade na vida conjugal, o remédio para o problema com os filhos ou com os pais, enfim, tudo de bom, sem exigências ou renúncias, para aquele que se diz crente em Jesus”[60]. No mesmo tom, diz o pastor Isaltino Gomes Coelho Filho: “E infelizmente, até mesmo boa parte da pregação evangélica não é para criar temor de Deus, e levar as pessoas à retidão, mas é uma pregação que oferece bênçãos e prosperidade para quem frequenta determinada denominação”[61].

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 32-
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[57] ANDERSON, op cit, p. 101.
[58] LANDERS, John. Teologia dos princípios batistas. Rio de Janeiro: Juerp, 1986, p. 18 e 20.
[59] BONHOEFFER, Dietriech. Discipulado. São Leopoldo, RS: Ed. Sinodal, 1980, p. 10.
[60] GONÇALVES JÚNIOR, Almir dos Santos. Quando o púlpito perde o poder. Rio de Janeiro: Juerp, 1998, p. 37.
[61] COELHO FILHO, Isaltino Gomes. Os profetas menores. Rio de Janeiro: Juerp, 2002, p. 26.

Competência do indivíduo e sua responsabilidade diante de Deus



O que é competência do indivíduo e sua responsabilidade diante de Deus? Significa que ele pode conhecer a vontade divina por meio da revelação das Escrituras, tornando-se responsável diante de Deus. Isso significa uma responsabilidade individual e direta no seu relacionamento com o Criador. Vejamos, portanto, as implicações desse princípio batista.

Em primeiro lugar, se o homem é competente e responsável, tem de ser livre. Isso quer dizer que ele foi criado à imagem e semelhança de Deus como ser racional e moral capaz de tomar decisões por si mesmo, devendo ter sua própria experiência com Deus, livre de toda interferência externa, amparada apenas pelo exame e estudo das Escrituras.

Em segundo lugar, a competência indica que cada um deve relacionar-se com Deus por si mesmo, pois essa é a conseqüência de ter sido criado como ser distinto, um indivíduo.

Por isso não há salvação “por atacado” por se estar simplesmente agregado ou filiado a uma igreja, ou por se ser membro de uma família cujos membros são cristãos. Como resultado, ninguém é salvo porque foi batizado quando bebê apadrinhado por alguém, porque não se pode ter experiência de salvação por apadrinhamento. No discurso de Pedro, no dia de Pentecostes, a conclusão foi clara: “arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus para remissão de vossos pecados” (At 2:38).

Em terceiro lugar, o cristão tem acesso direto a Deus. Por ser competente e responsável não necessita de nenhum intermediário humano. Descarta-se a teoria da “salvação por apadrinhamento” e mediante a intervenção sacerdotal humana tal como no catolicismo[54].

Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2:5).

Hoje, muitas igrejas evangélicas de linha neopentecostal aderiram a costumes e práticas que são combatidos pelos evangélicos históricos. Muitas têm restaurado a mediação clerical ao se colocarem como os únicos meios para interceder diante de Deus para a cura. Programa de rádio e tevê convencem o público de que a solução dos problemas e doenças está na “oração poderosa” feita pelo pastor ou na “corrente dos setenta pastores”, que é a formação de 35 pares enfileirados por onde passam os fiéis. Ainda há os pastores que vão ao Monte Sinai levando os sacos cheios de pedidos de oração das campanhas da “fogueira santa de Israel”, que deveria, na verdade, chamar-se “fogueira santa do Egito”. Tudo isso mostra a tendência para a mediação clerical e a volta do sacramentalismo nessas igrejas, com uso da unção do copo d’água, sal grosso espalhado pela casa etc.

Portanto, é preciso urgentemente enfatizar em nossas igrejas a competência e a responsabilidade do indivíduo no seu relacionamento com Deus em três aspectos:

1) Ao responder à chamada divina;
2) Ao ir a Deus em oração para solução dos problemas;
3) Ao tomar decisões que o levam fatalmente a assumir as conseqüências.

Para coroar a competência e responsabilidade individual, temos o sacerdócio universal de todo cristão, o qual não só tem “intrepidez para entrar no Santos dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho” (Hb 10:19-20), como também é competente para anunciar o evangelho de Cristo sem impedimento.

Apesar da competência do indivíduo, não vamos debandar para o individualismo exagerado. John Landers faz três ressalvas importantes sobre a competência do indivíduo.[55]

Em primeiro lugar, a competência do indivíduo não indica que o crente dispensa a igreja. Ninguém deve, sob a bandeira do individualismo, dizer: “Sou batista. Posso ler a Bíblia e tirar as minhas próprias conclusões e tenho acesso direto a Deus por Cristo”. Se fosse assim, Cristo não teria fundado a igreja. A vida cristã é para ser vivida em comunidade, como atesta a leitura do livro de Atos.

Em segundo lugar, ninguém existe fora do seu contexto social. Todos nós somos resultado de uma família e de uma comunidade. Aristóteles já dizia: “O homem é um animal
social”.

Finalmente, o cristão não é isento da responsabilidade social. Devemos ser o sal da terra e a luz do mundo, pois há “uma boa base bíblica para uma visão do lugar do crente na sociedade”.[56]

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 31-32
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[54] Devido ao princípio da competência do indivíduo, nós batistas, não batizamos criança de colo, visto que ela ainda não é competente nas suas decisões moral e espiritual. Discordamos dos nossos irmãos presbiterianos e reformados.
[55] LANDERS, John. Teologia dos princípios batistas. Rio de Janeiro: Juerp, 1986, p. 46.
[56] Ibid.

Liberdade religiosa e de consciência



No artigo 5º da nossa constituição, aprovada em 1988, parágrafo 6º, lemos: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as liturgias”.[48] O artigo 8º reza que ninguém é privado dos seus direitos devido à crença religiosa a convicções política e filosófica, a menos que utilize esse direito para fugir de qualquer obrigação legal.

Também a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em 1948, da qual o Brasil é signatário, diz no Artigo XVIII: “Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular”.

Muita gente não sabe, mas se temos uma constituição que nos dá liberdade religiosa e uma declaração de âmbito internacional, isso se deve aos batistas. Roberto Baker escreve: “O povo batista levou a América à liberdade religiosa (...) se um homem é responsável diretamente diante de Deus, logo tem que estar livre de restrições humanas para poder responder perante Deus”.[49]

Não só devido às perseguições através da sua história, mas também porque creem na competência do indivíduo diante de Deus, vejamos o que os batistas entendem acerca da liberdade religiosa: “Os batistas consideram como inalienável a liberdade de consciência, a plena liberdade de religião de todas as pessoas. O homem é livre para aceitar ou rejeitar a religião; escolher ou mudar sua crença; propagar e ensinar a verdade como entender, sempre respeitando os direitos e convicções alheios; cultivar a Deus tanto a sós quanto publicamente; convidar outras pessoas a participarem nos cultos e noutras atividades de sua religião (...) Tal liberdade não é privilégio para ser concedido, rejeitado ou meramente tolerado – nem pelo Estado, nem por qualquer outro grupo religioso – é um direito outorgado por Deus”.[50]

Desejo destacar dois pontos importantes no texto acima. O primeiro é que nós, os batistas, precisamos enfatizar o respeito às pessoas de qualquer credo religioso. Há alguns evangélicos que praticam o que eu chamaria de “evangelismo iconoclasta” ou “evangelismo de elite”. Roberto Dumas, do Instituto de Pesquisa Negra, do Rio, acusa alguns evangélicos que “invadem terreiros (de umbanda) para destruir imagens e agredir adeptos, além de interromper cultos em matas e cachoeiras”.[51] É claro que pregar o evangelho não é por força nem por violência, mas pelo Espírito Santo.

O segundo é que temos o direito, que é também dos outros, de propagar e ensinar a nossa fé. Ou seja, pregar o evangelho. A nossa Constituição garante isso, todavia a pregação e o discipulado têm encontrado barreiras, principalmente de grupos gays. Um deles acusa o “Movimento pela sexualidade sadia” (Moses) de “violar os direitos humanos, posto que luta para ‘curar’ os gays”.[52] A acusação refere-se ao testemunho cristão e aconselhamento espiritual a homossexuais. Se a moda pegar e se algum dispositivo legal vigorar, teremos um cerceamento à liberdade religiosa, além de contrariar “a liberdade de consciência e de crença” dos nossos púlpitos, o que viola a constituição federal. Se os homossexuais podem se manifestar publicamente travestidos e seminus, trocando carícias nas avenidas, por que nós, comprometidos com o evangelho de Cristo, não podemos pregar o que cremos da Bíblia sobre o homossexualismo? Se formos cerceados, nossa resposta será a mesma dos apóstolos diante do sinédrio: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens”.[53]

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 30-31
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[48] Constituição da República Federativa do Brasil, Brasília, Senado Federal, 1988, p. 5.
[49] BAKER, Roberto. Los bautistas em la história. Casa Bautista de Publicaciones: El Paso, 1974, p. 126.
[50] LANDERS, John. Teologia dos princípios batistas. Rio de Janeiro: Juerp, 1986.
[51] Isto É, 25/10/1995, p. 144.
[52] Eclésia, N.º 68, Ano VI, Agosto de 2001, p. 39.
[53] Atos 5.29.

Igreja separada do Estado


Quando a constituição brasileira diz ser “assegurado o livre exercício dos cultos religiosos”, está afirmando, em outras palavras, que vivemos num estado leigo. Mas nem sempre foi assim.

A situação jurídica dos não-católicos no Brasil Império deparava com o artigo cinco da Constituição de 1823: “A religião católica apostólica romana continuará a ser a religião do Império”[42]. Apesar da tolerância, as reuniões de culto seriam realizadas “em casa para isso destinadas sem forma alguma exterior de templo”.

Com o passar do tempo, a proibição foi afrouxando-se até que o Governo provisório Deodoro da Fonseca, no Art. 1°, proibia às autoridades federal e estadual qualquer religião oficial, e o Artigo 2 dizia que “a todas as confissões religiosas pertence por igual a faculdade de exercerem o seu culto”[43]. Enfim, oficialmente a liberdade religiosa no Brasil. Bem, oficialmente, não de fato, porque a igreja católica nunca concordou com a constituição que definia o estado leigo com liberdade religiosa. Posteriormente, houve uma proposta de emenda constitucional, em 1925, visando tornar o catolicismo novamente a religião oficial do Brasil[44].

O historiador Zaqueu Moreira de Oliveira conta que, após a República estabelecida e instituída a separação da igreja do Estado, “a aparente derrota da igreja romana, entretanto, terminou por encorajada a estabelecer formas de hostilidade e agressão contra os batistas com o intuito de emperrar seu progresso e impedir que eles conseguissem novos adeptos[45]”. Informa ainda que, na década de 1960, templos evangélicos eram atacados por fiéis católicos, apesar de que, nas cidades, a perseguição diminuíra em intensidade.

Hoje, nós vivemos sob regime de liberdade religiosa, num Estado leigo. Não entendemos a separação da igreja da esfera pública com bases humanistas com o fim de oprimir a “expressão religiosa” como nos países sob tutela da ex-União Soviética. Porém cremos que a separação se deve ao ensinamento global do Novo Testamento e resumido nas palavras de Jesus: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Por isso, a luta histórica dos batistas não é para livrar-se da religião mas, sim, liberar todas as pessoas para a religião da sua devoção, inclusive para o agnosticismo e ateísmo. Os batistas entendem que a liberdade de culto só pode ser satisfatória num Estado leigo. Segundo a compreensão dos batistas, “igreja e Estado são ordenados por Deus e responsáveis perante ele”, cabendo “ao Estado o exercício da autoridade civil, a manutenção da ordem e a promoção do bem-estar público”. Ainda mais: “O Estado deve à igreja a proteção da lei e a liberdade plena, no exercício do seu ministério espiritual”. 

Em contrapartida, “a igreja deve ao Estado o reforço moral e espiritual para a lei e a ordem, bem como a proclamação clara das verdades que fundamentam a justiça e a paz (...) A igreja deve praticar coerentemente os princípios que sustenta e que devem governar a relação entre ela e o Estado”.[46]

Diante dos fragmentos acima, podemos chegar a algumas conclusões acerca da separação entre igreja e Estado.

Primeira, ao Estado cabe apenas a preservação da lei e da ordem para todos os cidadãos, independentemente de sua convicção filosófica, política e religiosa. A imposição do feriado religioso a todos os brasileiros, em 12 de outubro, dedicado à “senhora Aparecida”, mostra ainda a ligação umbilical entre religião católica e o Estado laico brasileiro. O mesmo erro aconteceria se, numa hipótese, um presidente batista, apoiado por uma bancada de maioria evangélica, criasse leis favorecendo interesses evangélicos.

Segunda, aos cristãos cabe obediência às leis do país, desde que estas não conflitam com a consciência cristã. Devemos orar pelas autoridades, participando, dentro dos princípios bíblicos, da construção de uma sociedade mais ética e justa. Para tanto, a igreja, fazendo ecoar as vozes dos profetas, deve proclamar as “verdades que fundamentam a justiça e paz”. Coerentemente com sua pregação, nós, cristãos, devemos viver conforme pregamos sendo, assim, “sal da terra” e “luz do mundo”.

Finalmente há o perigo rondando o princípio da separação entre a esfera estatal e eclesiástica quando uma igreja, mediante intercessão de parlamentar evangélico, solicita terreno para construir templo[47]. A menos que haja cooperação entre órgão público e a igreja objetivando atividade social na comunidade em que se insere, entendo que a expansão da igreja e seu crescimento material deve provir unicamente das contribuições voluntárias, nunca dos cofres públicos.

Se a igreja aceita favores do Estado, com que voz ela poderá exercer sua independência e soberania? Com que autoridade poderá denunciar a imoralidade e a injustiça da classe política? Muitos líderes evangélicos do passado denunciaram o favorecimento oficial à igreja católica no Brasil, antes da proclamação da República e depois quando o catolicismo continuou “religião oficiosa”. Hoje, dirigentes evangélicos, que se tornaram parlamentares, passam por cima do princípio da separação das duas esferas e, no Congresso Nacional, reivindicam leis favorecendo exclusivamente evangélicos ou simplesmente a denominação que representam. Até acredito que parlamentares pastores até gostariam de ter sua denominação como a religião oficial do Estado Brasileiro.

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 28-30
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[42] REILY, Duncan A. História documental do protestantismo no Brasil. São Paulo: Aste, 1984, p.28.
[43] Op. cit. p. 226.
[44] Idib. p. 228.
[45] OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de Oliveira. Perseguidos, mas não desamparados, 90 anos de perseguição religiosa contra os batistas brasileiros. Rio de Janeiro: JUERP, 1989, p. 14.
[46] LANDERS, John. Teologia dos princípios batistas. Rio de Janeiro: Juerp, 1986.
[47] Existem igrejas que até pedem material para construção de templo, mediante via ilegal. Não seria participar de corrupção, com desvio de verba?

Igreja como comunidade local, democrática e autônoma

Imagem: Severino Tomaz de Aquino (Assembleia da Convenção Batista de Caruaru na PIB da cidade)


Sempre que falamos de igreja, dizemos que é uma reunião de crentes. Mas essa afirmação não diz tudo. Não temos no Novo Testamento uma definição de igreja. O que temos são imagens, figuras usadas para designar a congregação do povo de Deus. Temos por exemplo a igreja como corpo de Cristo (Ef 1:22-23; 5:23,30; Cl 1:18,24); esposa de Cristo (Ef 5:25,29; Ap 19:7; 21:9; 22:17); lavoura de Deus, edifício ou templo de Deus (1 Co 3:9,16).

A palavra igreja provém do grego ekklesia (ek=fora; kaleo=chamar; portanto, chamar para fora). Ekklesia era a assembléia de cidadãos convocados para o espaço público para decidir assuntos de interesse da sua polis, ou cidade.

influência com “voto de cabresto”. Inclusive, há irmãos que ficam revoltados ou magoados quando a decisão da assembléia não está a seu favor.

Essa atitude difere completamente de uma verdadeira democracia eclesiástica. Segundo Justo Anderson, “uma congregação batista local teoricamente é uma democracia pura”.[37]

Citando outro autor, Anderson diz que Thomas Jéferson, principal autor da Constituição Americana, sempre dizia que as igrejas batistas eram exemplos perfeitos de democracia.

Quando examinamos as páginas do Novo Testamento, vemos que o governo eclesiástico era uma “democracia sob o senhorio de Cristo”. No primeiro capítulo de Atos, Lucas narra que a escolha do substituto de Judas se deu após a oração em que os apóstolos pediram para que José, também chamado Barsabás, ou Matias, fosse eleito. Ao orarem, disseram: “Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido”. O mesmo aconteceu na eleição dos sete e a decisão agradou a todos (At 6.3-6). Na controvérsia da circuncisão, conforme Atos 15, lemos: “Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los juntamente com Paulo e Barbabé, a Antioquia” (negrito nosso). É interessante notar que a carta enviada pela liderança a Antioquia diz: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais” (At 15.28). Grifamos “bem ao Espírito Santo e a nós”. Por isso, escreve Landers, “a igreja é, idealmente uma teocracia, mas Cristo não está mais presente visivelmente para tomar as decisões. Hoje, o Espírito Santo se manifesta através do voto do seu povo”[38]. E “a democracia, o governo da congregação, é a forma certa somente na medida que, orientada pelo Espírito Santo, providencia e exige a participação consciente de cada um dos membros nas deliberações do trabalho da igreja”. Por isso, conclui: “Nem a maioria, nem a minoria, nem tampouco a unanimidade, reflete necessariamente a vontade divina”[39].

Não preciso dizer que democracia supõe autonomia da igreja local. Mas é bom frisar que autonomia (etimologicamente significa lei própria ou capacidade de criar as próprias leis) quer dizer capacidade de governar-se a si mesmo. Todavia esse “governar-se a si mesmo” está subordinado às orientações de Cristo e a seu senhorio, como já vimos. Portanto, a igreja se autogoverna debaixo da orientação do Novo Testamento, no qual estão as normas de Cristo para o seu povo.

A autonomia da igreja local é um brado contra as seguintes formas de governo eclesiástico:

1) O governo monárquico exercido pelo papa que se supõe infalível. Abaixo dele há uma hierarquia, sob a qual está a comunidade local, a paróquia, que não tem voz nem vez. Hoje, algumas igrejas evangélicas estão caminhando para esse governo eclesiástico no qual o “papa” da denominação é chamado de bispo ou apóstolo, encastelado sob o manto da “incontestabilidade”. Para não dizer “infalibilidade”.
2) O governo episcopal, que é o governo dos bispos, tal como na igreja episcopal e na igreja metodista. Os bispos são o clero superior e os pastores inferiores. Há muitas igrejas que teoricamente não se enquadram nessa categoria, mas são episcopais no governo. Há algumas igrejas batistas da Convenção Batista Nacional (ala da renovação espiritual) cujos pastores têm sob sua tutela vários outros pastores de igrejas de bom porte numérico e financeiro (portanto, prontas para serem autônomas). Apesar de se dizerem batistas, não se guiam pelo princípiobíblico de igreja local, democrática e autônoma.
3) O governo presbiteriano centraliza-se na autoridade dos presbíteros. As decisões da igreja ficam a cargo do pastor e dos presbíteros. É uma espécie de governo representativo. Acima da igreja local há o presbitério (regional), o sínodo e o supremo concílio.

Agora desejo fazer duas considerações acerca desse princípio batista.

Primeiro, não se deve confundir conceito de igreja com o de reino de Deus ou o reino dos céus. Jesus mencionou 112 vezes “reino” (basiléia, em grego) que significa “governo”, reinado enquanto igreja (ekklesia), 2 vezes. Reino de Deus (ou dos céus) é o reinado ou o governo de Deus na vida dos súditos de Deus ou discípulos de Cristo. Como bem expressou George Eldon Ladd: “O reino é primariamente o reinado dinâmico ou domínio soberano de Deus e, derivadamente, a esfera na qual tal soberania é experimentada (...) A igreja é a comunidade do reino, mas nunca o próprio reino. Os discípulos de Jesus pertencem ao reino como o reino lhes pertence; mas eles não são o reino. O reino é o domínio de Deus; a igreja é uma sociedade composta por seres humanos (...) A igreja constitui-se o povo do reino de Deus, nunca o próprio reino”[40]. Jesus, ao ser interrogado pelos fariseus sobre a vinda do reino de Deus, respondeu: “O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Pois o reino de Deus está dentro de nós” (Lc 17:20,21). A resposta de Jesus deixa claro que o reino de Deus não se identifica com uma organização exterior e visível.

Segundo, não há um conceito de igreja batista identificando-a como denominação, como se diz igreja metodista do Brasil ou igreja presbiteriana do Brasil. Podemos dizer por exemplo: “As igrejas batistas, que formam a Convenção Batista Brasileira, precisam envidar esforços pela expansão do reino de Deus”. As igrejas batistas, na realidade, se unem voluntariamente em associações e convenções para esforço cooperativo visando a fins comuns. Para isso, as igrejas podem ou não aceitar as sugestões de propósitos, metas e métodos propostos pelas juntas.

Finalizo com as conclusões de E. Y. Mullins, eminente teólogo batista: “Não há que identificar o reino como uma igreja visível ou denominação visível, pois o reino é o reinado invisível e espiritual, sem considerações a fronteiras denominacionais”[41].

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 25-28
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[37] ANDERSON, Justo C. Historia de los bautistas – suas bases e princípios. El Paso: Casa Bautista de
Publicaciones, 1978, pág. 65. Tomo I.
[38] LANDERS, John. Teologia dos princípios batistas. Rio de Janeiro: Juerp, 1986.
[39] Ibid.
[40] LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: Juerp, 1985, p. 105 e 106.
[41] TUNNER, J. Clyde. La doctrina neotestamentária de la iglesia. p 19.

Igreja composta de membros regenerados e biblicamente batizados



Há ainda um conceito errôneo entre crentes de algumas denominações de que entre os batistas “a única preocupação principal é a administração do batismo”. Claro que não é isso. Como escreveu Ernest F. Kevan: “As convicções dos batistas baseiam-se primariamente na natureza espiritual da igreja, e a prática do batismo dos crentes surge como corolário desse fato”[22]. Ainda diz: “De acordo com a crença batista, a igreja é composta daqueles que nasceram de novo pelo Espírito Santo e foram conduzidas a uma fé pessoal e salvífica no Senhor Jesus Cristo (...) Ser membro da igreja de Cristo não se baseia no acidente nem no privilégio do nascimento num país cristão ou numa família cristã. Os batistas, portanto, repudiam o conceito anglicano e presbiteriano ao apagarem da definição da igreja a expressão: “juntamente com seus filhos”[23].

Esse princípio batista de que os membros da igreja local devem ser regenerados e biblicamente batizados deriva das páginas do Novo Testamento (Mt 3.5,6; At 2.38,41; 8.12,36-38; 10.47,48; 16.31-33; 18.8; 19.4,5). Portanto, no princípio do cristianismo era assim, como afirma J. Clyde Turner: “Não existe nenhuma evidência de que alguma vez alguém se fizesse membro de uma igreja neotestamentária, sem haver passado pela experiência do novo nascimento que vem por meio da fé no Senhor Jesus Cristo”.[24]

Por isso a ênfase no batismo dos crentes regenerados após a pública profissão de fé tornou-se uma marca distintiva dos batistas, pois “o simples fato de arrolar-se na lista de membros de uma igreja não torna a pessoa membro do corpo de Cristo”.[25]

O princípio de uma membresia regenerada e biblicamente batizada traz como resultado as seguintes afirmações lógicas e coerentes dos batistas:

1) Afirmação na prática de um princípio neotestamentário. Tendo como princípio a autoridade exclusiva da Bíblia e o Novo Testamento como a fonte normativa da vida da igreja, os batistas concluíram a ordem: fé salvadora em Jesus Cristo, regeneração, pública profissão de fé e batismo.
2) A afirmação da necessidade de pureza da igreja. A regeneração (uma nova gestação) implica que o crente é nova criatura em Cristo para uma vida em “que tudo se fez novo”. Uma vida regenerada implica pureza no pensar, falar, agir e conduzir-se. Por isso o batismo bíblico por imersão é a única forma de representar a mudança espiritual na vida do cristão (Rm 6:1-4).
3) Afirmação da associação voluntária dos crentes como igreja. Como conseqüência da liberdade religiosa que resulta numa igreja livre e num Estado livre, o crente se associa como membro de uma igreja levado naturalmente pela consciência de sua competência como indivíduo e sua responsabilidade diante de Deus e dos outros crentes.
4) Afirmação do sacerdócio universal do crente. Relacionado com os itens anteriores, o cristão como regenerado é um sacerdote com acesso direto à presença de Deus (Hb 10:19-20), tem o direito de examinar as Escrituras para “acessar” o que Deus lhe diz sob a iluminação do Espírito Santo.[26]

Desejo concluir este tópico com algumas considerações sobre o perigo que ronda este princípio batista hoje.

Em primeiro lugar, as igrejas, principalmente sua liderança, precisam preocupar-se com os candidatos à profissão de fé para batismo a fim de evitar que pessoas simplesmente “catequizadas” se tornem “prosélitos batistas”. A solução é que se efetuem os batismos após discernimento e constatação segura de que o candidato é um crente regenerado. O princípio bíblico é que o simples fato de arrolar-se na lista de membros de uma igreja não torna a pessoa membro do corpo de Cristo. Cuidado extremo deve ser exercido a fim de que sejam aceitas como membros da igreja as pessoas que deem evidências positivas de regeneração e verdadeira submissão a Cristo.[27] Levar essa recomendação a sério é um remédio eficaz contra o cristianismo nominal.

Segundo, é necessário que se pregue e ensine que o ato de “levantar a mão” para “aceitar Jesus como Salvador” não é um passaporte mágico que evidencia ser o indivíduo um crente em Jesus Cristo, e que decidida, a pessoa terá resolvido seus problemas financeiros e de saúde.

Por isso, é necessário enfatizar que “o aprendizado cristão inicia-se com a entrega a Cristo, como Senhor (...) O discípulo aprende a verdade em Cristo, somente por obedecê-la. Essa obediência exige a entrega das ambições e dos propósitos pessoais e a obediência à vontade do Pai. A obediência levou Cristo à cruz e exige de cada discípulo que tome a própria cruz e siga Cristo (...) Sua vida pessoal [a do discípulo] manifestará autodisciplina, pureza, integridade e amor cristão, em todas as relações que tem com os outros. O discípulo é completo”[28].

Apesar da ênfase necessária a um discípulo cristão com base no senhorio de Cristo para que não se tenha um rol de membros apenas “inchado”, termino com o alerta de John Landers: “Sempre existe, com o devido cuidado, a possibilidade de uma igreja aceitar alguém cuja fé não seja verdadeira, mas cada igreja tem a responsabilidade de tentar limpar suas fileiras a pessoas realmente convertidas".[29]
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[22] KEVAN, Ernest F. A tradição batista in: EHTIC, Elwell, Walter. S. Paulo: Vida Nova, 1990, p. 550. Vol 3.
[23] Embora batize crianças de colo, prática com o qual os batistas não concordamos, os presbiterianos consideram a confirmação como o momento da profissão de fé para tornar-se membro da igreja. O conceito presbiteriano e reformado do batismo infantil difere do da igreja Católica, para o qual o batismo transforma a criança em um cristão nascido de novo.
[24] TURNER, J. Clyde. Doctrina neotestamentária de la iglesia. El Paso, Texas: Casa Bautista de Publicaciones, 1967, p. 36.
[25] LANDERS, John. Teologia dos princípios batistas. Rio de Janeiro: Juerp, 1986.
[26] O direito do “livre exame”, derivado da Reforma Protestante, não quer dizer que ao ler a Bíblia alguém possa interpretar livremente as Escrituras e ensinar as suas próprias conclusões. Como diz Pedro: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação” (2 Pe 1:20).
[27] LANDERS, John. Teologia dos princípios batistas. Rio de Janeiro: Juerp, 1986.
[28] Ibid.
[29] Princípios batistas, p. 8.

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 24-25

A autoridade da Bíblia



O que é princípio da autoridade da Bíblia? Significa que apenas as Escrituras, que são os registros escritos da auto-revelação de Deus aos homens, possuem autoridade suficiente para guiar o indivíduo na sua crença e no seu comportamento. Justo Anderson afirma que “as igrejas batistas consideram a Bíblia como a fonte de autoridade, especialmente o Novo Testamento, como o registro da vida, o exemplo e os mandamentos de Jesus Cristo”.[15] Anderson ainda argumenta que a autoridade da Bíblia, principalmente a do Novo Testamento, se relaciona com o princípio do senhorio de Jesus Cristo, porque “a autoridade do Novo Testamento se deriva do Senhor do Novo Testamento. Em outras palavras, a palavra escrita deriva sua vitalidade da Palavra vivente”.[16]

Por esse motivo nós, batistas, entendemos que nossas doutrinas e práticas devem estar subordinadas ao Novo Testamento. Com isto em mente, James Giles escreveu: “O que alguémconsidera como autoritativo em religião e prática determinará seu comportamento”.[17] Por isso, quando o muçulmano, no mês sagrado de Ramadã, jejua desde o nascer ao pôr-do-sol, inclusive sem fumar e abstendo-se de relação sexual, faz guiado pelo Alcorão, que para ele é a autoridade máxima.

Neste uso, justificam-se plenamente as diferenças acentuadas entre o islamismo e o cristianismo. Para o islamita, o Alcorão é autoritativo; para o cristão, a Bíblia é sua regra de fé e prática. Agora, como entender as várias igrejas com o nome de cristãs mas com doutrinas e práticas tão diferentes, senão até contrárias?

Vejamos três exemplos de igrejas que divergem de doutrinas e práticas batistas.

O primeiro exemplo é o da igreja católica romana com o seu papa infalível, veneração (na realidade culto) a Maria e aos santos, a oração pelos mortos em um suposto purgatório; a salvação pelas obras etc. Quanta distância das doutrinas e práticas bíblicas!

Mesmo assim o catecismo da igreja católica romana diz: “Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que é realmente: a Palavra de Deus”. Estas afirmações do catecismo estão corretas, merecendo o nosso amém. Agora, como conciliar os desvios de crenças e práticas católicas com os ensinos das Escrituras? A resposta é uma só: o catolicismo não tem apenas a Bíblia, mas também crê que “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só sagrado depósito da Palavra de Deus confiado à igreja”.[18] Logo, o que não tem base bíblica é justificado pela tradição, que é o conjunto de ensinamentos e práticas sem o apoio das Escrituras, que foram acrescentados com o passar do tempo.

O segundo exemplo são as igrejas protestantes pedobatistas, isto é, as que batizam crianças recém-nascidas, e efetivam o batismo na forma de aspersão. É o caso das igrejas luterana, anglicana ou episcopal, presbiteriana e metodista. Embora sejam igrejas derivadas direta ou indiretamente da Reforma do século XVI que proclamou a Bíblia como única regra de fé e prática, não questionaram alguns conceitos e práticas à luz do Novo Testamento. Por isso José dos Reis Pereira escreveu: “Porque manteve o batismo infantil além de outras doutrinas e práticas oriundas do romanismo ou nele inspiradas é que dizemos que a Reforma do século XVI não foi completa. Lutero e Zwuínglio, bem como Calvino e os anglicanos mais tarde, não tiveram fôlego moral e espiritual para percorrer todo o caminho de volta ao cristianismo do 1° século. Detiveram-se antes de terminar a jornada”.[19]

O terceiro exemplo são as igrejas neopentecostais que têm difundido ensinos bastante estranhos à Bíblia e ao protestantismo histórico. Basta mencionar apenas alguns:

1) Estar bem com Deus significa ter saúde física e prosperidade financeira;
2) O crente deve determinar a bênção e não orar de acordo com a vontade de Deus;
3) Cura interior mediante o uso de hipnose e regressão que pode chegar à fase embrionária e “liberar perdão às pessoas envolvidas (aquelas dos momentos difíceis, amargos e traumatizantes) em cada fase e até mesmo a Deus”[20];
4) Quebra de maldição hereditária vinda de antepassados.

O mais curioso é que todos os envolvidos nos tais “encontros” propagam-nos dizendo: “Tudo que foi ensinado e pregado lá está dentro da Palavra”, querendo dizer que tem base bíblica. Entretanto a autoridade da Bíblia fica anulada pela aceitação de outras “autoridades normativas” como pretensas visões e revelações de líderes. Infelizmente, se esquecem das palavras de Paulo orientando a Timóteo para que admoestasse “a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que antes promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé” (1 Tm 1:3).

Finalizo este tópico dizendo que não adianta dizer que a Bíblia é autoridade se ela não norteia nossa fé e nosso agir.

É preciso entender que “as Escrituras revelam a mente de Cristo e ensinam o significado do seu domínio. Na sua singular e una revelação da vontade divina para a humanidade, a Bíblia é a autoridade final que atrai as pessoas a Cristo e as guia em todas as questões de fé cristã e dever moral. O indivíduo tem que aceitar a responsabilidade de estudar a Bíblia com a mente aberta e com atitude reverente, procurando o significado de sua mensagem através de pesquisa e oração, orientando a vida debaixo de sua disciplina e instrução”.[21]
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[15] ANDERSON, Justo C. Historia de los bautistas – suas bases e princípios. El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1978. Tomo I.
[16] Ibid.
[17] GILES, James. Estos creemos los bautistas. Casa Bautista de Publicaciones, 1977, p. 18.
[18] Constituição Dogmática “Dei Verbum” sobre a revelação divina In: Compêndio do Vaticano II. Petrópolis: Vozes, 1991, p. 121.
[19] PEREIRA, J. Reis. Breve história dos batistas. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1979, p. 50.
[20] AMAZONAS, Arão, (Coordenador). Manual de realização do encontro. Manaus: Semente de Vida Produções, p. 98.
[21] Princípios batistas.

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 22-24

O senhorio de Jesus Cristo


Por Roberto do Amaral Silva

Justo C. Anderson fez uma importante afirmação do princípio do senhorio de Jesus Cristo: “O futuro da denominação batista dependerá em grande parte da sua fidelidade a este princípio”.[7] O senhorio de Jesus Cristo na vida cristã do indivíduo e na vida da igreja é determinante para a nossa continuidade como igreja. Nós vivemos numa sociedade na qual, usando a linguagem de Paulo, “há muitos deuses, e muitos senhores”,[8] exigindo a lealdade de cada um de nós e da igreja.

A quem devemos obediência? Em que assuntos devemos lealdade ao Estado, já que a própria Bíblia nos diz que “todo homem esteja sujeito às autoridades superiores”.[9] Se partirmos do princípio de que o senhorio de Cristo é ponto final para decidir qualquer assunto, nossos atos alcançarão o resultado desejado por ele. Parafraseando Agostinho: “submeta-se a Cristo e faça o que você quiser”.

O princípio do senhorio de Jesus Cristo nos leva a responder a vários desafios. O primeiro deles é o totalitarismo político. Desde o domínio romano até o século XX, os cristãos experimentaram o domínio do Estado Totalitário exigindo-lhes a fidelidade que só é devida a Cristo. No Império Romano, os cristãos não sucumbiram à ordem de abandonar a fé pela submissão às exigências religiosas e políticas dos imperadores, mas os crentes pagaram com a própria vida ao pronunciarem e viverem a confissão de que “Jesus Cristo é o Senhor”. A definição radical pelo senhorio de Cristo acompanhou os cristãos durante a Idade Média frente aos poderes políticos e eclesiásticos.

A história da igreja no século XX também produziu mártires que, sob o domínio do nazifascismo e do regime comunista, não aceitaram a idolatria política das ideologias porque elas conflitavam com os ensinos de Cristo. Esses cristãos aprenderam com os apóstolos: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens”.[10] O senhorio de Jesus Cristo continua sendo a mola mestra na vida de cristãos em países islâmicos. Diante da oposição de familiares anticristãos e do Estado religioso opressor, muitos cristãos se rendem ao senhorio de Cristo.

Nós, batistas do Brasil e do ocidente, temos a proteção das leis que nos garantem a liberdade de culto e pregação do evangelho. Entretanto, há muitos “deuses” e “senhores” que tentam afastar-nos do senhorio de Jesus Cristo.

Por exemplo, há o senhor “eu” que exige plena submissão às suas vontades e caprichos conhecidos como obras da carne, que chamo de catálogo sinistro tirado de Gálatas 5.19-21, dividido em quatro blocos: 1) Sexo: imoralidade sexual, a impureza e as ações indecentes; 2) Religião: idolatria e feitiçaria; 3) Relacionamento interpessoal e social: inimizades, brigas, ciumeiras (ou ataques de ciúme), os acessos de raiva, a ambição egoísta, desunião, divisões (aquelas que põem irmão contra irmão nas igrejas), invejas; 4) Alimentação: bebedeiras e farras. Algumas versões dizem glutonaria ou orgias, tradução melhor para o termo usado no grego, komos, com o sentido de “excesso sensual no prazer físico e sexual que é ofensivo a Deus a aos homens igualmente”.[11] Ainda o mundo, ou mundanismo, com toda variedade de deuses como o amor ao dinheiro que, segundo Paulo, é a “raiz de todos os males” e que Jesus denominou de Mamom, palavra que personifica as riquezas. O Senhor Jesus deixou claro que “um escravo não pode servir a dois donos ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro; será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro”.[12]

Qual dos senhores ou deuses tem nossa obediência? Além da adoração a Mamom, que gera a sonegação de impostos (e dízimo, inclusive), a corrupção financeira em todos os segmentos sociais e governamentais e o consumismo desenfreado. Ainda há a deusa do sexo, a mais difundida e adorada sob várias divindades na forma de erotismo publicitário e televisivo, pornografia, homossexualismo, adultério e prostituição. Todos esses e mais outros soberanos, que não foram mencionados, fazem parte do esquema deste mundo, o qual não merece o nosso amor pois “se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”.[13]

O princípio do senhorio de Jesus Cristo, portanto, nos leva a muitos desafios. Obedecer a quem em primeiro lugar? Até que ponto o cristão deve obediência à autoridade? Em que ponto do viver diário estamos obedecendo à nossa carne e a “senhores” deste mundo e a “deuses” e não a Jesus Cristo?

Talvez alguém pense que princípios batistas sejam afirmações filosóficas e teóricas que não têm nada a ver com nosso cotidiano cristão. Puro engano. No interessante texto elaborado, em 1964, pela Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, sob o tópico Cristo como Senhor, lemos o seguinte: “A fonte suprema da autoridade cristã é o Senhor Jesus Cristo. Sua soberania emana da eterna divindade e poder – como o unigênito Filho de Deus Supremo – de sua regência vicária e ressurreição vitoriosa. Sua autoridade é a expressão de amor justo, sabedoria infinita e santidade divina, e se aplica à totalidade da vida. Dela procedem a integridade do propósito cristão, o poder da dedicação cristã, a motivação da lealdade cristã. Ela exige a obediência aos mandamentos de Cristo, dedicação ao seu serviço, fidelidade ao seu reino e a máxima devoção à sua pessoa, como Senhor vivo”14 (grifo nosso).[14]
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[7] ANDERSON, Justo C. Historia de los bautistas – suas bases e princípios. El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1978, p. 49. Tomo I.
[8] 1Coríntios 8:5.
[9] Romanos 13:1.
[10] Atos 5.29.
[11] BARCLAY, Willian. As obras da carne e o fruto do espírito. São Paulo: Vida Nova, 1985, p. 59.
[12] Mateus 6.24 (NTLH).
[13] 1 João 2:15.
[14]Princípios batistas. Rio de Janeiro: Juerp, 1987, p. 1.

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 20-22

Introdução aos Princípios Batistas


Por Roberto do Amaral Silva*

O vocábulo princípio por si só já diz: o que é começo, o primeiro. Segundo Jaqueline Russ,[1] princípio, do ponto de vista temporal, é: começo, ponto de partida; do ponto de vista causal é a causa ou fonte de ação e, do ponto vista normativo, princípio é regra ou norma de ação. Com base nisso, podemos ver que princípio ou princípios nos trazem ideia de algo básico e fundamental. Podemos, inclusive, dizer que princípios determinam ponto de partida para uma ação. É até comum dizermos: “tenho por princípio peneirar toda informação que me é passada”. Ou então: “Fulano não tem princípios”, significando que não tem normas essenciais.

Segundo o dicionário Michaelis, princípios são “doutrinas fundamentais ou opiniões predominantes”. E o dicionário Houaiss define como “opiniões, convicções”. Na verdade, princípios são convicções que temos sobre alguma área de conhecimento ou ação. Todos nós possuímos princípios ou convicções que regem nosso modo de interagir com o mundo e com os outros. A grande questão é: que princípios são estes.

Ao passarmos para o terreno religioso, é comum se dizer: “tenho princípios religiosos” ou “tenho princípios bíblicos que dirigem minha vida”. Na Carta aos Hebreus encontramos registrada a expressão “os princípios elementares dos oráculos de Deus.”[2] No grego, “princípios elementares” é “stoikeia”, palavra que pode significar o abecê de um determinado conhecimento. E, mais adiante na epístola, há também a expressão “os princípios elementares da doutrina de Cristo”.[3] No original grego, “princípios” é “arkes”, significando “a compreensão inicial da posição cristã que a diferenciava do judaísmo”.[4] Logo, os dois textos fazem referência aos fundamentos iniciais da doutrina cristã que, segundo o autor, são: arrependimento de obras mortas, fé em Deus, batismos, imposição de mãos, ressurreição de mortos e juízo eterno. Esses ensinos da fé cristã eram “os princípios” que os cristãos, aos quais foi dirigida a Epístola aos Hebreus, deveriam conhecer, e que se diferenciavam dos ensinamentos do judaísmo, ao qual o cristianismo é superior.

E, agora, quando falamos de princípios batistas seriam eles a mesma coisa que doutrinas batistas? Embora os princípios batistas se baseiem nas páginas do Novo Testamento e se relacionem com as doutrinas e práticas cristãs, não são o que denominamos doutrinas batistas. O entendimento que temos é que princípios são convicções que norteiam nossa maneira de ler e interpretar a realidade que nos rodeia e como interagimos nela. Apesar de neotestamentários, os princípios batistas não abordam sistematicamente as doutrinas cristãs como estão devidamente expostas na “Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira”, documento que é a súmula do que nós, batistas, cremos por doutrinas bíblicas. Podemos exemplificar mostrando que o nosso entendimento sobre Deus na pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sobre o homem, o pecado e a salvação são doutrinas bíblicas comuns também a outras denominações evangélicas. Segundo Justo C. Anderson, os princípios batistas são “as pautas ou as normas sobre as quais os batistas têm baseado sua atividade orgânica e a raiz das quais têm justificado sua própria existência, ou seja, sua identidade denominacional”.[5]

Com base no que já vimos, podemos afirmar que os princípios batistas são um conjunto de convicções que definem o perfil das crenças e práticas batistas. Por isso, conforme John Landers, “os princípios batistas são linhas mestras de interpretação da fé cristã que distinguem os batistas das demais denominações”.[6] Sem o princípio da autoridade da Bíblia não há o testemunho de que Deus falou e se manifestou maravilhosamente na história humana. Não há o registro da intervenção divina a favor da nossa salvação. Se não há a autoridade das Escrituras, como declarar a competência do indivíduo em buscar, sob a ação e orientação do Espírito Santo, a verdade sobre Deus e sua relação com ele? Como o indivíduo se torna responsável diante de Deus?

A necessidade dos princípios batistas

Por que insistir tanto nos princípios batistas como elemento direcionador em relação a outros cristãos? Por que insistir nessa marca registrada dos batistas? Em primeiro lugar, historicamente os batistas têm-se distinguido, desde sua origem, por esses princípios. Segundo, porque diante da multiplicidade de igrejas (e como há novas igrejas aparecendo a cada semana nas esquinas das cidades brasileiras), nós precisamos firmar nossas convicções num todo coerente. Há muitas igrejas com rótulo de cristãs que, apesar de afirmarem ser a Bíblia a única regra de fé e prática, aceitam outras fontes de revelação que determinam suas crenças e práticas. Aqui temos um exemplo de como um princípio precisa interferir na nossa prática. Nossos princípios não devem ser aceitos apenas na teoria, mas devem ser postos em prática. Se nós cremos que Jesus Cristo é o Senhor da igreja, como agir seguindo outros senhores?

As igrejas batistas hoje, juntamente com seus líderes, precisam entender que o abandono dos nossos princípios diluem a nossa identidade. E se algum dos princípios se perder, os demais serão afetados. Nossos princípios básicos são um todo que se sustenta. Por isso precisam ser divulgados e estudados pelos crentes e, principalmente, postos em prática.

Na nossa abordagem dos princípios batistas, oito serão focalizados. Há autores que os enfocam de maneira diferente da que fazemos aqui. John Landers, por exemplo, acrescentou o princípio “O Espírito Santo em cada crente” no seu livro Teologia dos Princípios Batistas, fazendo frente ao ensino pentecostal do batismo no Espírito Santo como ato posterior à conversão.

Nós consideramos neste estudo os seguintes princípios batistas à luz das Escrituras e aplicados ao nosso dia-a-dia como indivíduos e como igrejas:

1. Princípio do senhorio de Cristo
2. Princípio da autoridade da Bíblia
3. Princípio da igreja composta de membros regenerados e biblicamente batizados
4. Princípio da igreja como comunidade local, democrática e autônoma
5. Princípio da igreja separada do Estado
6. Princípio da liberdade religiosa e de consciência
7. Princípio da competência do indivíduo e sua responsabilidade diante de Deus
8. Princípio da missão da igreja no mundo

*Roberto do Amaral Silva é pastor Batista, bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Betel, Rio de Janeiro. O conteúdo deste artigo é um extrato de sua obra "Princípios e Doutrinas Batistas" publicado em 2003 pela JUERP. Sua obra completa está disponibilizada gratuitamente em PDF.
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[1] RUSS, Jacqueline. Dicionário de filosofia. São Paulo: Editora Scipione, 1994.
[2] Hebreus 5.12.
[3] Ibid., 6.1.
[4] GUTHRIE, Donald. Hebreus, introdução e comentário, São Paulo: Mundo Cristão, 1984, p. 129.
[5] ANDERSON, Justo C. Historia de los bautistas – (suas bases e princípios), El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, Tomo I. 1978, p. 44.
[6] LANDERS, John. Teologia dos princípios batistas., Rio de Janeiro: Juerp, 1986, p. 12.

Nota: Este é um extrato de Princípios e doutrinas batistas por Roberto do Amaral Silva, pg. 17-20