Cansei de esperar! Vai esse mesmo! – Parte I

janeiro 02, 2016


Por Kelly Quintanilha

Em nosso ultimo texto (leia aqui), nós conversamos um pouco sobre o perigo que há quando desejar um esposo se torna o seu objetivo de vida, ou seja, um ídolo. Lembro que fiz menção, no ultimo ponto do texto, sobre a possibilidade de sobrevir amargas conseqüências na vida de uma mulher que esteja nesta condição idólatra, em decorrência da precipitação em escolher um esposo. Dominada pelo pecado da ansiedade, ela não consegue enxergar à luz da Palavra o que de fato representa o casamento no Reino de Deus e como as escolhas erradas podem difamar o Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo.

Este assunto, certamente, é muito extenso e não é minha pretensão esgotá-lo nas abordagens que pretendo fazer aqui. Minha proposta consiste em refletirmos em alguns pontos com base em 2 cenários: um relacionamento pré-nupcial que caminha para um casamento bíblico, bem como um relacionamento pré-nupcial que caminha para um casamento anti-bíblico.

Mas antes de começar a falar mais especificamente sobre o assunto, eu preciso deixar claro uma coisa: isso não é uma “receita de bolo”. Não é uma “fórmula mágica”. Nossa segurança não está em seguir um script e achar que por isso estamos isentos de quaisquer contratempos. Quando pensamos assim, estamos nos enveredando pelo caminho do legalismo. Nossa segurança está na pessoa de Cristo, na Sua Maravilhosa Graça. Por isso, é de fundamental importância que você tenha sua satisfação na pessoa de Cristo e não em marido e filhos. Eles são bênçãos e dádivas do Senhor? Sim, são! Mas eles não são a sua fonte de vida e alegria, isso provém somente de Cristo. Contudo, a bíblia nos dá indícios suficientemente claros para avaliarmos se estamos prestes a contrair um matrimônio bíblico ou não.

Posto isso, proponho avaliarmos 3 características de um relacionamento pré-nupcial anti-bíblico:

Seu pretendente não é um cristão

Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? (2Co 6.14-15 – grifo meu)

Tenho observado que a “moda” agora é dizer: “Na igreja eu só tive decepção! Não há homens verdadeiramente cristãos lá! Tenho visto que há homens no mundo que são mais “qualificados” que muitos homens “crentes” que estão dentro da igreja!”. Minha querida irmã, eu concordo com você que estamos vivendo tempos em que a “popularização” do evangelho (sabe-se lá que evangelho...) tem resultado em igrejas “inchadas” de pessoas que se dizem cristãs, mas que vivem em práticas totalmente carnais. Eu também concordo que está muito difícil encontrar homens, verdadeiramente homens e bíblicos. Mas eu preciso te dizer que isso não é um precedente para você pecar, ignorando as ordenanças do Senhor Deus para sua vida, através da Sua Palavra.

Perceba que há uma ordem impressa nessa passagem. Como serva do Deus altíssimo, como tabernáculo do Espírito Santo de Deus, como alguém que vive à Luz do Evangelho de Cristo, que foi criada para glorificar o nome do Senhor, você está proibida de se unir com um incrédulo. Não há comunhão entre vocês. E, por favor, não caia no engano de achar que você vai levá-lo para a igreja e que ele vai se converter, como se a conversão de um incrédulo fosse algo que dependesse de você, ou de suas “melhores intenções”. A obra de regeneração na vida de um incrédulo não é por “vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1.13). Pode ser que este homem venha a ser convertido ao Evangelho? Claro que sim! Porque o Evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). Todavia, tenha em mente que Deus não tem a obrigação de “consertar” o erro da sua precipitação. E mais, você pode infringir mais um mandamento do Senhor: “(...) Não tentarás o Senhor, teu Deus” (Mt 4.7)
        
Seus pais não aprovam o seu pretendente

Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. (Ef 6.1-3)

É impressionante como essa questão da influencia direta dos pais na escolha dos futuros cônjuges de seus filhos foi simplesmente abolida. Isso, hoje, é uma raridade. Contudo, o que eu tenho entendido, é que a culpa desta situação é primeiramente dos pais, que, sem a menor cerimônia, abrem mão de sua responsabilidade e autoridade designada pelo Senhor Deus em conduzir o seu filho na Verdade em todas as decisões da sua vida. Tenho a sensação de que eles esquecem que “herança do Senhor são os filhos” (Sl 127.3), e certamente terão de prestar contas ao Senhor sobre suas vidas. Porém, independente da condição dos seus pais (sendo eles cristãos ou não, se eles são presentes ou não tão presentes como deveriam), você deve obediência e honra a eles, sendo assim, eles tem sim autoridade para aprovar ou não aquele que pretende ser seu esposo.

Moças, até que vocês se casem, o corpo de vocês pertence ao pai de vocês (1Co 7.36). Por isso, é ele quem te conduz ao altar e entrega você ao seu futuro esposo. É por isso, que na cerimônia de casamento, o noivo somente pode beijar a noiva depois que forem declarados marido e mulher, pois, é a partir deste momento, que o corpo dela passa a pertencer ao seu marido (ICo 7.4).

Sendo assim, não deixe que o pecado da ansiedade (Fl 4.6) faça com que você quebre mais um mandamento do Senhor Deus. Minha amada irmã em Cristo, “ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares, para o teu pescoço.” (Pv 1.8-9).

Se seu pretendente não protege e respeita você

“Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmãoporque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação. (1Ts 4.3-7 – grifo meu)

Você pode até ficar chocada com o que eu vou lhe dizer agora, mas eu posso te afirmar que, nestes tempos em que a igreja tem “tomado a forma deste mudo” e não se santifica com uma mente renovada pela Palavra de Deus, as pessoas estão DEFRAUDANDO umas as outras. E pelo visto, não conseguem entender a dimensão do texto acima, quando diz que o SENHOR é o VINGADOR contra todas estas coisas!

Querida irmã, eu confesso a você que nem sempre tive o conhecimento que tenho hoje a cerca desta passagem, mas desde que o Senhor abriu o meu entendimento para a profundidade e seriedade deste texto, eu passei a ser radicalmente contra ao modelo de namoro mundano que se alojou nas igrejas.

Infelizmente não haverá tempo de tratarmos o assunto com mais profundidade neste momento, mas a maneira com que as moças têm permitido que rapazes carnais (que se dizem crentes!) conduzam o namoro, é de causar muita tristeza. E sim, o responsável por conduzir o cortejo (atualmente prefiro utilizar esta nomenclatura para relacionamentos pré-nupciais) de uma forma santa, bíblica e respeitosa é o homem. Afinal, ele será o cabeça da mulher com quem deseja contrair matrimônio, assim como Cristo é o cabeça da Igreja (Ef 5.23). Ele deve amar e proteger você. Você deve ter a certeza, já no relacionamento pré-nupcial, que ele é capaz de cumprir isso: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por elapara que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Ef 5.25-27- grifo meu).

Moça, você tem noção do que significa este versículo? Você entendeu que o seu futuro marido deve cumprir o ofício de Cristo na sua vida? Isso é muito sério! O padrão é muito alto!

Portanto, se você está em um relacionamento ou pretende iniciar um, no qual o seu pretendente defrauda você com: calorosos beijos de língua que incitam em você o desejo de lascívia; se ele acaricia o seu corpo, inclusive as partes íntimas, desonrando você; se ele vive coagindo você a ter relações sexuais antes do casamento fazendo com que você se transforme numa fornicadora; se ele não trata você considerando que em primeiro lugar você é sua irmã em Cristo; se ele te humilha publicamente com palavras ofensivas, com sentido duplo e te expõe ao ridículo ao invés de te guardar; tome uma atitude para o seu bem e para que o Evangelho de Cristo não seja difamado na sua vida: PONHA UM FIM NISSO!

Amadas irmãs, como já mencionei neste texto, o padrão é muito alto. E o problema é que, por ser muito alto, fica cada vez mais difícil de encontrar. Mas quando você compreende que o casamento é uma representação de como é o relacionamento entre Cristo e a Sua igreja (Ef 5.31-32) e que, sendo assim, o casamento é indissolúvel, visto que Cristo não se “divorcia da Sua igreja”, a responsabilidade em você fazer uma escolha bíblica fará toda a diferença.

Em nosso próximo texto, vamos analisar algumas características de um relacionamento pré-nupcial que caminha para um matrimônio bíblico.

Abraços e até lá!

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O Vida Prudente é um blog de Fé reformada, criado para disponibilizar estudos para a edificação da igreja de Cristo, para os que desejam crescer em conhecimento e graça, tendo nas Escrituras o modo prudente de viver. (Ef 5.15 – “Portanto, vede prudentemente como andais)