O Sr. Justiça Própría nas vias enganosas da graça falsificada

dezembro 05, 2015

Por Ney Junior

O caminho do inferno é semelhante a um homem chamado Sr. Justiça Própria que laborou toda sua vida baseado na falência de seus méritos. Vindo de uma terra distante chamada Boas Obras, tal homem, sábio aos seus próprios olhos, atraído pela soberba da vida, foi tornado cativo. Foi levado ao cativeiro pelas concupiscências dos olhos para trabalhar nas enganosas vinhas do Sr. Graça Falsificada. Do nascer do sol ao anoitecer, Justiça própria laborava pelo suor de seu rosto para conseguir sua liberdade. De acordo com seu senhor, seria liberto de seu cativeiro mediante seus próprios esforços, ganhando assim riquezas e reputação.  Anos e mais anos se passaram, e assim como Labão enganou Jacó, assim o Sr. Graça Falsificada enganou o pobre homem. Quanto mais próximo achava estar do prêmio, mais endividado ficava e mais longe da liberdade estava. Tamanha era a obstinação do cativo, que resolveu então trabalhar muito mais do que antes. Com posse de sua enxada da moralidade, o Sr. Justiça Própria se orgulhava da força de seu braço. Estava convicto de que com os poucos talentos que ganhara do fruto do seu labor poderia comprar sua tão almejada liberdade. Por encher os seus depósitos de mérito próprio, tal homem conseguiu momentos de glória entre seus companheiros de vinha. Era conhecido por seu labor incansável e levou a muitos a segui-lo em sua obstinação.

Depois de 80 anos, frustrado e cansado do trabalho de uma vida inteira, o obstinado foi buscar a liberdade negociando com seu senhor. Tirando do seu depósito todos os talentos de boas obras que tinha juntado, o ofereceu ao Sr. Graça Falsificada em troca de sua liberdade. O seu senhor então replicou ao seu servo: Achas mesmo que me oferecendo esta miserável quantia de dinheiro você será um homem livre? Por carregar este trapo de imundícias em suas costas, achas que se livrará de mim? O salário que exijo é a sua própria morte, pois o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23)”. Naquele momento, o Sr. Justiça própria foi enganado pela última vez. Entregue a morte por enforcamento, foi morto pendurado numa torre na parte central da vinha para servir de exemplo para todos aqueles trabalhadores que ousassem se rebelar contra o Sr. Graça Falsificada. Do nascer do sol ao entardecer ficou lá o seu corpo, com sua enxada da moralidade entregue as traças e a poeira.


Ao findar do dia, retirando o corpo de tal homem falido, um dos cativos encontrou em seu bolso aquilo que seria as suas últimas palavras. Escrito num pedaço de papel bem rasgado, parece que o Sr. Justiça Própria descobriu a verdade tarde demais. Maldito é o homem que não pode usufruir de tal benefício, sendo apenas exemplo de escape para outros, pois assim estava escrito: “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.” (Romanos 4. 4 - 5).

O último relato que a história nos conta sobre tal vinha opressora e de seu senhor, é que aquela verdade escrita no papel se espalhou por todos os cantos. Como consequência, o reinado do Sr. Graça Falsificada começou a ruir, pois muitos trabalhadores conseguiram a sua liberdade simplesmente porque deixaram de trabalhar.

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